Manifestações em frente aos batalhões

Manifestações em frente a batalhões no RJ chegam ao quarto dia

O bloqueio de parentes de policiais militares do Rio de Janeiro em frente a alguns batalhões continua pelo quarto dia seguido, nesta segunda-feira (13). O protesto começou na última sexta-feira (11), quando os parentes, principalmente mulheres, impediam a entrada e saída de viaturas de diversos batalhões do estado. Os manifestantes pedem por melhores condições de trabalho para os PMs, pelo pagamento do 13º salário e pelo regime adicional de serviço (RAS).
A Polícia Militar informou que familiares de PMs se concentravam na porta de 29 dos 100 batalhões do Estado do Rio, até o fim da tarde de domingo (12). Segundo a PM, os batalhões que estão apresentando deficiência no efetivo recebem apoio de outras unidades.
No 6º BPM (Tijuca), na Zona Norte do Rio, o protesto continuava na manhã desta segunda-feira. Segundo as mulheres que estavam na entrada do batalhão, foi feito um acordo com o comandante da unidade para que, nesta segunda-feira, fosse colocado um efetivo mínimo de carros e policiais nas ruas para cumprir o expediente do dia. O acordo, segundo elas, serve apenas para esta segunda-feira.
Para os próximos dias, elas ainda não sabem como será feito o policiamento, apenas dizem que continuaram se manifestando até que as reivindicações sejam atendidas. Apesar do acordo, elas continuam revistando os carros particulares que entram e saem do batalhão da Tijuca.
Ainda de acordo com elas, nas unidades de Polícia Pacificadora (UPP) a situação é diferente. “Na UPP, eles estão trabalhando sem uniforme, sem colete, sem armamento e sem identificação”, explicou uma delas.
No 3° BPM (Meier), uma mulher de 60 anos disse ter sido agredida por um tenente ao tentar impedi-lo de passar, por volta das 8h30 desta segunda-feira. Segundo ela, o tenente queria que ela saísse do caminho para que os carros da polícia saíssem do batalhão.
“Eles mandaram eu sair. Eu falei que não ia sair. Aí o sub não sei o que aí saiu sem eu ver e me deu um empurrão. Só que tinha uma senhora que estava ali e falou. ‘não fica nervosa não porque eu estou gravando”. Aí, ele virou pra ela e falou: ‘a senhora para de gravar que eu vou tomar o seu celular e vou te prender’, disse Maria de Fátima Costa Nunes.
Ainda na entrada do batalhão do Méier, as mulheres que protestavam continuavam com o objetivo de não deixar que os carros da Polícia Militar saíssem.
“O nosso objetivo é não deixar sair a viatura. As viaturas estão na rua e eles estão tendo conchavo pra abastecer em outro lugar. Eles tão trocando de plantão lá no [hospital] Salgado Filho”, disse uma delas que também preferiu não se identificar.

Sem pagamentos em dia, mulher de PM fala sobre mudança de rotina
Uma das mulheres que protestava na entrada do batalhão do Méier na manhã desta segunda-feira contou sobre a mudança na vida da sua família por causa do atraso nos pagamentos. Ela, que é mulher de um policial militar, disse que está vivendo
“Eu estou vivendo de ajuda da minha família. Os meus dois filhos estudavam em um bom colégio particular. Hoje, eles estudam em uma escola pública. Eu sou do estado, da área da saúde, e meu marido também é do estado, então está insuportável a situação em casa porque você não tem data pra receber”, contou a mulher.
No domingo (12), o bloqueio no 19º Batalhão, em Copacabana, Zona Sul do Rio, terminou, mas parentes voltaram na manhã desta segunda-feira. Pelas redes sociais, a PM reforça a informação de que o patrulhamento é normal em vários pontos da cidade.
A troca dos turnos e das equipes está sendo feita em pontos estratégicos, na rua mesmo e o comando da unidade diz que o policiamento na região não foi prejudicado.
No sábado (11), a cúpula da Polícia Militar afirmou que 97% do efetivo da corporação estava nas ruas fazendo patrulhamento, apesar dos protestos.

Reunião entre comando da PM do RJ e parentes terminou sem acordo
Parentes de policiais se reuniram na tarde de sábado (11) com integrantes do Comando-Geral da Polícia Militar no Quartel General da corporação, no Centro do Rio de Janeiro. O objetivo era buscar saídas para o fim de protestos nas portas de batalhões do estado, que tiveram início nesta sexta-feira (10), mas a reunião terminou sem acordo.
Segundo informações da PM, tanto o comandante-geral, coronel Wolney Dias, quanto o chefe de Estado-Maior Operacional, coronel Cláudio Lima Freire, se reuniram com os familiares dos policiais e ouviram as reivindicações do grupo. Entre elas, pagamento do 13º salário de 2016, do RAS Olímpico (adicional) e das metas atrasadas, além de outras questões.
Ainda de acordo com a corporação, o coronel Wolney Dias “se apresentou como o interlocutor formal com o governo do estado e se comprometeu a estudar a viabilidade das reivindicações que competem à Polícia Militar, tais como escalas, melhores condições de trabalho e atendimento médico”. No fim, ficou acertado que será agendada uma nova reunião com a presença de um representante do governo.

Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/manifestacoes-em-frente-a-batalhoes-no-rj-chega-ao-quarto-dia.ghtml
(Foto: Fernanda Rouvenat/ G1)