A Máfia da Lei Seca

Nesses quase 7 anos de luta dissemos sempre isso em nosso twitter e agora foi comprovado por um depoimento no facebook. Esta Blitz não quer pegar quem bebeu coisa nenhuma, querem criar dificuldades para os “amigos” do “sistema” venderem facilidades…. LEIAM & REFLITAM!

RIO, 4ª FEIRA PASSADA, QUASE 1 HORA DA MANHÃ, CANSADO, SAINDO DO TRABALHO. BLITZ DA LEI SECA EM FRENTE AO RIO SUL.
– Doutor, no bafômetro tudo certo, deu zero, mas o seu documento está com um probleminha. Vimos no sistema que o IPVA está pago, tudo certo, mas o senhor não agendou a retirada do documento.
– O carro tem menos de 2 anos, tinha que ter feito a vistoria?
– Não, não precisava de vistoria não. Bastava passar e pegar o documento.
– Ok, não tem problema, vou fazer isso agora mesmo aqui do telefone, te mostro o comprovante de agendamento e está tudo resolvido.
– Não Doutor, seu carro está irregular no momento da abordagem e vai ter que ser apreendido. Vou lhe explicar o procedimento : Seu veículo vai ser levado para o depósito em Caxias.
– Como assim? O carro está com o IPVA pago, tudo certo, vai rebocar? Caxias? Não tem um depósito mais perto?
– Não Dr., a ordem superior é levar tudo para Caxias. Na verdade, não é bem em Caxias, fica na Washington Luiz, perto da estrada que vai para Magé.
E enquanto pensava no tamanho do problema e em como fazer para pegar o carro, ele continuou…
-Amanhã o Sr. tem que imprimir um “nada consta” e o “agendamento”. Depois, para liberar o carro, o senhor vai ter que pagar o reboque e a diária do depósito, mas isso é só lá no depósito mesmo.
Tentei argumentar, mas logo desisti. Nenhum argumento funciona. O fato de não ter pego o documento não deveria ser motivo para esse transtorno. Ele sabe disso, mas para ele tanto faz. É só uma peça de uma estrutura completamente ineficiente que acha que está funcionando bem, pelo simples fato de punir.
A vontade era de mandar aquele cara e todo seu discurso forçosamente educado `a merda, mas, respirei fundo, liguei o foda-se, peguei um táxi e voltei para casa pensando que a truculência do Estado tem muitas faces. A falta de respeito é a raiz de todas.
Eles já têm as informações online mostrando que está tudo regular mas, mesmo sabendo disso, levam o carro até Caxias.
Surreal, inacreditável?
Até seria se tivesse acabado aí, mas, o pesadelo estava só começando.
Com a ajuda de um amaino, chego ao depósito na baixada fluminense, uma rua perdida, no meio do nada, um muro com uma portinhola de aço parecendo uma entrada de presídio e duas tendas brancas na calçada onde se aglomeram um grupo de pessoas.
Depois de ser recebido como bandido por dois seguranças que parecem bandidos, recebo uma senha e passo para uma sala apertada com um balcão onde várias pessoas exaltadas tentam o atendimento.
Chega minha vez, meia hora depois, entrego os documentos querendo me ver livre daquilo tudo o mais rapidamente possível, mas, pelo buraco redondo no meio do vidro preto que esconde o rosto da funcionária, surge uma voz dizendo que o nada consta não estava “conforme” e aí, “não tem como liberar não” .
Quando ainda tentava entender o que “não está conforme” significava, a mesma voz, sugere que eu resolva com o pessoal da calçada.
Pois é, desse esquema não tem como escapar. Vai sempre faltar alguma coisa e, no meio do nada, só mesmo o pessoal da calçada para ajudar.
São duas tendas brancas, iguais as da lei seca, um pouco menores, com gambiarras e fios pendurados trazendo energia de dentro do depósito, com uma mesa, impressora, computador e acesso à internet. Caixote para sentar, escritório montadinho.
Ali, pagando, você consegue os documentos que exigem no balcão.
O pior é que os caras de fora, que estão ali batalhando por sua sobrevivência e por conta da burocracia do governo, são muito mais bacanas e prestativos que todos até então.
Sem eles teria que voltar no dia seguinte.
Bastava colocar uma tenda dessas ao lado da blitz da lei seca e tudo se resolveria ali mesmo!
Volto com o documento “conforme” na mão, achando que vou resolver rápido, mas tenho que pegar outra senha pois não existe atendimento para quem já foi atendido. Fila grande, de novo.
Quando, finalmente aceitam a documentação, imprimem um boleto, sem discriminar o que está sendo cobrado e apontam para um cartaz que diz: Pagamentos só no Bradesco.
O problema é que o mais próximo fica em Caxias ou Saracuruna, são 20 minutos de distância.
Já são quase 16h e o depósito fecha as 17h.
Penso em desistir mas, a voz escondida atrás do vidro escuro me dá outra informação preciosa, tem um amigo ali na calçada que pode pagar num caixa eletrônico da birosca. Desenrola lá com ele.
O “amigo” cobra 20% do valor da guia…. É isso ou ter que voltar no dia seguinte. Contrato o amigo e pago os 20% dele agradecendo…
Saio, enfim, faltando cinco minutos para fecharem as portas.
Um dia, desnecessariamente, perdido pela burrice, burocracia e pela grana que se ganha com aquele pátio enorme lotado.
As soluções seriam simples, mas falta interesse e bom senso.
Para o Estado é assim, parceria permitida, só com a ilegalidade!
Por uma mera formalidade, somos jogados num mar de ilegalidade que se alimenta de um suposto cumprimento à lei, que para nada serve, a não ser alimentar um sistema falido, onde alguns ganham muito.
Ainda bem que só assisti a “relatos selvagens” no sábado….

Relato retirado da postagem do facebook link abaixo.

O relato abaixo é do meu irmão Miguel. O coração pula no pescoço só de ler. Devem estar servindo rivotril na água que…

Posted by Andréa Pachá on Wednesday, February 4, 2015